“Ser Psicanalista é saber que todas as histórias conduzem a se falar de amor. Na escuta do outro e na queixa trazida, tem sempre por causa uma falta de amor, presente ou passada, real ou imaginária”.( D. H.Lawrence)

Textos

Se queixar é uma responsabilidade

"A Psicanálise? Uma das mais fascinantes modalidades do gênero policial, em que o detetive procura desvendar um crime que o próprio criminoso ignora." (Mario Quintana)
Talvez uma das melhores formas de explicar o processo analítico tenha sido a citação de Mario Quintana, destacada acima.
O sujeito é queixoso, porém goza no seu sofrimento. Por isso ele o ignora. Existe um prazer na dor, ou melhor, no que envolve aquele que sente a dor. 

Afinal de contas o sujeito sempre tem um "motivo" para que seja desta maneira.
Criando assim uma teia neurótica onde ele possa brincar com cada personagem que ele envolva na sua teia.
Legitimou o papel de vítima, e atua-o com máxima destreza.
É comum em uma cena de crime encontrarmos os seguintes personagens. O criminoso, a vítima e as testemunhas.
O mesmo crime possuirá um número variado de versões, dependendo do número de personagens e do personagem que o conta. Porém todos estão narrando o mesmo crime. Mas narram segundo a sua visão, segundo sua forma de ver as coisas. Isso é facilmente notado em sessões com família.
O que sempre percebo é que o criminoso não é tão criminoso, a vítima não é tão vítima como diz, e a testemunha não viu e nem sabe de tanta coisa assim.
Todas as visões são importantes, pois expressam o que o sujeito sente em relação ao crime. Se constitui a verdade dele. Como bem disse Anaiís Nin "não vemos as coisas como são, vemos como somos".
A visão que o sujeito tem do crime não revela apenas o que ele sente, mas também o que ele é, e faz questão de ignorar.
Há pessoas que se vitimizam e durante esse processo se tornam agressores impiedosos para autoafirmar seus lugares de vítimas.
Todos nós passeamos por esses papéis/personagens em diversas situações da nossa vida. Onde somos acusados, ou nos sentimos vitimados, ou quando servimos por testemunha.
Mas quero focar no sujeito enquanto "vítima".
Vítima esta que é um pouco criminoso quando ignora sua responsabilidade dentro do que se queixa.
Não me refiro a culpa, mas sim responsabilidade.
Essa que ele nega ser dele. E por negar viverá em angustia, pois essa suposta realidade irá bloquear o comprometimento que ele poderia desenvolver com seu próprio mal estar, ou seja, assumir a responsabilidade com as suas dores pessoais, não as que ele diz que alguém causou.
A passagem de vítima à criminoso pode ser dolorosa, e essa é a razão pelo qual muitos gostam de viver um "inferno" de vida.
O que mais nos machuca não é o que o outro nos faz, mas sim o que fazemos a nós mesmos.
Você pode ser seu carrasco ou seu salvador.
"Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente sua própria escuridão". (Jung)

Jorge Pragana Jr
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Psicanalista

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