“Ser Psicanalista é saber que todas as histórias conduzem a se falar de amor. Na escuta do outro e na queixa trazida, tem sempre por causa uma falta de amor, presente ou passada, real ou imaginária”.( D. H.Lawrence)

Psicanálise


A questão da psicanálise selvagem e da análise leiga na atualidade

 Pergunto o que escreveria Freud em seu artigo Psicanálise Selvagem se presenciasse o (mau) uso que fazem da psicanálise atualmente.
  É assustador o número de instituições oferecendo cursos com uma garantia de uma prática clínica aos que neles se matriculam chegando ao absurdo de oferecer um documento - que nunca existiu na história da psicanálise - como "prova" de tal prática. 
  Na carona destas instituições, muitas pessoas oferecem escuta se dizendo psicanalista, e o paciente, na sua ignorância sem culpa, fica a mercê de fracassos - na melhor das hipóteses - ou, muito freqüentemente, sofrem danos irreparáveis.
  É sabido - não por todos, já que ainda há os que acreditam que somente psicólogos e/ou médicos podem exercer a psicanálise - que não há uma graduação que funcione como um pré-requisito para ser um psicanalista. Mas esse distanciamento entre a universidade e a formação psicanalítica não pode ser mal interpretado a ponto da Psicanálise ser levada num tom de descomprometido. Por exemplo, uma propaganda do tipo "tenha uma renda extra com psicanálise, sua nova profissão" é uma afronta à prática analítica que se pretende séria e demanda investimento e dedicação constante.
  O fato de se insistir que a formação psicanalítica seja diferenciada de uma formação acadêmica tem sua razão e ela não é qualquer. A psicanálise se direciona ao saber inconsciente. Saber este que não se aprende, mas se experimenta. A invenção freudiana não é uma ciência, posto que a ciência visa buscar uma verdade absoluta e imutável. Para a Psicanálise toda verdade é meia já que se trata da verdade inconsciente que comporta necessariamente uma falta. E, além do mais, Psicanálise é uma ética não uma profissão Tanto que não há um regulamento com leis que possam dar conta de sua prática. Todas as tentativa em regulamentá-la felizmente foram fracassadas, e se depender dos psicanalistas ela jamais será regulamentada. Pois qualquer lei engessaria a práxis psicanalítica impossibilitando que ela se realize de acordo com o funcionamento do inconsciente que comporta suas próprias leis. Portanto uma instituição que oferece um documento (diploma, carteira) que garanta o exercício da Psicanálise precisa, no mínimo, ser questionada.
  A respeito da formação universitária - graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado... - nada tem a ver com uma condição para exercer a Psicanálise, cito Freud em A questão da análise leiga:'talvez venha a acontecer (...) que os leigos não sejam realmente leigos, e que os médicos não tenham exatamente as mesmas qualidades que se teria o direto de esperar deles". Portanto não é a formação acadêmica que vai decidir se alguém está apto a ocupar o lugar de analista. Pode parecer ser terra de ninguém, mas embora qualquer um possa fazer a formação de analista não significa que um qualquer possa. E isso faz toda a diferença.
  Freud em seu texto Análise terminável e interminável toca na questão da formação: "onde e como pode o pobre infeliz  as qualificações de que necessitará em sua profissão? A resposta é: na análise de si mesmo, com a qual começa sua preparação para a futura atividade.' Ou seja, o Pai da Psicanálise é pontual quando declara que esse é o passo inicial indispensável a ser dado por quem deseja fazer uma clínica psicanalítica. É avançando no saber do seu próprio inconsciente que se é possível conduzir uma análise de um outro que, por sua vez, vai trilhar o seu caminho em direção à sua própria verdade. Mas apenas se submeter à análise não é tudo, é preciso ainda se engajar em um estudo teórico constante com outros pares e fazer supervisão dos casos clínicos. Esse é o tripé clássico fundamental para que se "forme" um psicanalista. E aqui coloco "forme" entre aspas pois é importante frisar, que na verdade, ele estará sempre em formação. O que impede radicalmente que o simples cumprimento de uma carga horária garanta o exercício da ética psicanalítica.
  Lacan, como não podia deixar de ser a partir de seu retorno a Freud, sempre se propôs a pensar e repensar a questão da formação. Ele dizia que 'o analista só se autoriza por si mesmo e por alguns outros'. Entendendo, minimamente esse "outros" como os pares, o psicanalista que o conduz em análise e os próprios pacientes que o reconhece como tal e o sustenta no lugar de analista.
  Por fim, não há problema em se oferecer curso de psicanálise - até porque isso alimenta o estudo teórico essencial na formação. A crítica irredutível é quanto a garantia da permissão de clinicar através dos mesmos. Isso sim é perigoso e beira o charlatanismo. E eu nem me ocupei em dissertar sobre o inadmissível fato dos que ocupam cargos religiosos e misturam religião com Psicanálise em suas práticas... 
  E quanto aquele que não tem a intenção de seguir o percurso psicanalítico como prática, mas deseja fazer uma análise? Qual o cuidado necessário para que não corra o perigo de cair nas mãos de um "falso" psicanalista? A verdade é que garantia não há, mas é preciso ficar atento aos que se oferecem como psicanalista dentre outras práticas.
  Quem se diz ser tantas coisas, nada é efetivamente. Mesmo porque fica inviável uma prática psicanalítica junto com outras visto que a psicanálise carrega uma singularidade por conta do seu compromisso com o saber inconsciente que, ao ser descoberto  por Freud, trouxe consigo um teor totalmente subversivo.
  Quem quiser e estiver apto a praticar psicoterapia, escuta religiosa, hipnose, misticismo entre outras coisas, deve faze-lo defendendo com unhas e dentes a sua prática se preocupado em exercê-la bem e será reconhecido. Mas não pode se nomear psicanalista.

"Uma psicanálise é o tratamento que se espera de um psicanalista" (LACAN, 1998, p. 331)


Flavia Albuquerque
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Psicanalista












Psicólogo - Psicanalista - Psiquiatra

Saiba quando e quem procurar...

 O que é?

Psicologia - É o estudo científico do comportamento e do pensamento. Os psicólogos analisam as relações que os seres humanos tem com o mundo - como a percepção, a motivação, a emoção e o aprendizado - e com si próprios (personalidade).

 Psicanálise - É um método de observação, investigação, e conhecimento do conjunto de processos psíquicos do ser humano. O psicanalista segue a escola de análise da mente fundada pelo médico austríaco Sigmund Freud, o pai da psicanálise.

 Psiquiatria - É uma especialidade da medicina. O psiquiatra é habilitado para diagnosticar e tratar transtornos mentais. doenças que alteram o comportamento da pessoa e o funcionamento do organismo.

 Áreas de atuação

 Psicologia - Os psicólogos não trabalham necessariamente com a presença de patologias. podem atuar em hospitais, escolas, na orientação profissional, e na área de recursos humanos das empresas, em atividades esportivas, forense e ambientais, entre outras.

 Psicanálise - Saúde mental e distúrbios emocionais estão na pauta, assim como aspectos relacionados a qualidade de vida, autoconhecimento e ampliação de perspectivas. A psicanálise pode ajudar a melhorar a relação que a pessoa tem com ela própria e com o mundo.

 Psiquiatria - Além da atuação clinica convencional, o psiquiatra pode se especializar em psiquiatria da infância, adolescência, geriátrica, forense, psicanálise, ou em psicoterapia. Ele também pode trabalhar em parceria com psicólogos e psicanalistas.

 Formação

 Psicólogo - O curso de psicologia tem duração total de cinco anos. Depois de formados, os psicólogos devem se credenciar no Conselho Federal de Psicologia para poder exercer a profissão.

 Psicanálise - Depois de formado em algum curso superior, o futuro psicanalista entra para a escola de psicanálise, por dois a seis anos. Existem também aqueles que optam por fazer um curso de pós graduação em teorias e técnicas psicanalíticas em instituições de ensino superior autorizadas pelo MEC. Psicólogos e psiquiatras estão entre os mais interessados pela área.

 Psiquiatria - Para ser psiquiatra é preciso cursar a faculdade de medicina (seis anos) e fazer uma especialização em psiquiatria que dura três anos.

 Quando procurar

 Psicologia - Diante de sintomas depressivos, ansiedade ou se a pessoa perceber que suas atitudes atrapalham seu desenvolvimento. Indivíduos que possuem transtornos específicos ou que valorizem o autoconhecimento também podem recorrer a um psicólogo.

 Psicanálise - A psicanálise atua profundamente nos conflitos íntimos. Pode abordar angustias relacionadas a qualidade de vida, distúrbios emocionais e autoconhecimento. Além disso o psicanalista trata psicopatologias, transtorno de personalidade, depressão e etc.

 Psiquiatra - O psiquiatra trata transtornos de depressão e ansiedade, dependência química, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Transtorno Bipolar do Humor, transtornos alimentares, esquizofrenia, demência entre outros.

 Método

 Psicologia - Entre os diversos métodos da psicologia, estão os jogos criados pelos próprios psicólogos, terapia, reflexão, diálogo, testes, além de trabalhos em grupos como as dinâmicas.

 Psicanálise - Existem várias correntes dentro da psicanálise, que nasceram a partir do método freudiano. A análise depende da linha que o psicanalista segue ou dos elementos fornecidos pelo paciente/cliente, que pode levar o profissional a determinada intervenção.

 Psiquiatria - A psiquiatria baseia-se em sintomas e relatos dos pacientes para fazer diagnóstico. Também segue o Manual de Diagnóstico e Estatística, que estabelece um critério para identificar doenças mentais. É habilitado para prescrever medicamentos.

 Linhas

 Psicologia - Devido as várias possibilidades de tratamento, desenvolveram-se muitas linhas de estudo e trabalho, como behaviorismo, terapia cognitivo comportamental, gestalt, psicodrama e etc.

 Psicanálise - Além de Freud, o analista pode conhecer e explorar o pensamento de outros autores importantes da psicanálise: Melanie Klein, Bion, Winnicott, Jacques Lacan, entre outros.



Fontes: Ana Mercês Bahia Bock, professora do curso de psicologia da PUC de São Paulo, foi presidente do Conselho Federal de Psicologia.
Denise Pará Diniz, Coordenadora do Núcleo da Qualidade de Vida e Gerenciamento de Stress da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Plínio Montagna, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
Antonio Leandro Nascimento, consultor do programa Comunidade da Associação Brasileira de Psiquiatria.

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